segunda-feira, 5 de abril de 2021
Será que é justo, no meio de tanta gente lutando para sobreviver, a gente se render ao desespero e desejar que estivessemos entre os mortos? Fantasiar que pudessemos estar entre as estatisticas, mas que também poderiamos estar longe desse caos que se criou? Quem sabe estar em companhia de quem já nos deixou, num lugar cheio de árvores, um lago, flores, olhando para tudo isso como um passado longiguo. Será que é muito egoismo desejar não viver mais só para não vivenciar tanta dor, tanto descontentamento, tanto luto, tanta decepção com pessoas que amamos? Será que haverá vida pós pandemia? Ou melhor, que vida existirá depois de tanta destruição? Será que haverá coragem suficiente para ultrapassar toda essa desordem?
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
E de repente a gente volta a acreditar que somos guiados por uma força universal que mesmo sem a gente entender como e porque tem tudo calculado e cronometrado. Não adianta a gente fazer birra, chorar, lamentar, bater os pés, as coisas vão acontecer independente de nossas vontades, desejos. Mas se você estiver de alguma forma conectado com essa força superior as coisas simplesmente voltam a acontecer de um jeito tão harmônica e mágico que mesmo tendo vivenciado isso mais de uma vez fico embasbacada de como o universo pode ser incrivel. E o oposto também é verdadeiro, para mim é tão claro como a água de que quando as coisas não vão bem e deixamos nossa energia baixar tudo de ruim nos acontece. Tenho provas e provas disso, mas que bom que também tenho provas de sua magia de que quando pedimos e esperamos as coisas acontecem. Hoje é um dia deles e tão simbolico que neste mesmo dia há um ano atrás eu estava sofrendo a pior injustiça desta minha existencia e hoje neste mesmo dia consigo ter meus pedaços colocados no lugar e me sentir restaurada. Pode ser que o universo esteja me mandando para uma armadilha, mas confiar é preciso! E eu confio, não sem antes duvidar, mas é só a mágica acontecer que não tem como não dizer que algo maior está por trás. Por isso hoje sou só gratidão por tudo de bom e ruim que me aconteceu e me tornou quem eu sou. Às vezes, a situações no testam, fazem a gente duvidar de si mesmo, mas no fim, quando deito no travesseiro é só orgulho que sinto de mim! De mim e do meu anjo guardião, uns dos melhores deste nosso universo :)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
São tempos tão dificéis que me sinto sem palavras para expressar o que ando sentindo. Parei para pensar que nem sei mais, em meio a tanto tumulto, o que desejo de agora em diante, pelo menos para mim...os desejos que me passam são sempre relacionados aos outros, para que sejamos melhor em termos de coletividade, mas há quase um ano que não sei o que desejar para mim mesma, o que quero para mim e minnha vida? Claro que o simples sempre me traz brilho ao olho, as pequenas coisas, os encontros com os amigos, as viagens, mas todas essas possibilidades ficaram para trás, no meio do novo normal a gente vai tentando sobreviver. É tá tão difícil sobreviver, distante de quem amamos, sendo obrigada a ver todos os dias, esfregado na minha face o que a desigualdade social faz com as pessoas, o limite que elas chegam e isso me faz pensar tanto, mas ao mesmo tanto me faz desejar tão pouco...que tempos são esses?
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
O que você está pensando?
Sabe o que estou pensando, querido blog? Que simplesmente não é possivel ser feliz tendo o presidente que temos. Sabendo que nos dias de hoje ainda temos que explicar o óbvio e que tenha tanta gente mergulhada em tanto ódio que não consiga enxergar um palmo a sua frente, muito menos ao seu lado. Não é possível acreditar que em pleno ano 2020 quando pensamos que dominariamos a tecnologia, que encontraríamos a cura para tantas doenças que quase poderiamos ser susbstituidos pelos robos há tanta gente na miséria, a beira de uma sociedade machista, egoista e preconceituosa. Sinto tanto pesar que é dificil respirar nesse ar tóxico que se transformou nossa sociedade. É quase impossivel dar um passo para frente e não pensar que estamos só retrocedendo. Me falta chão, o ar e as palavras para descrever tanta tristeza e sofrimento, tanta alienação. Chego a pensar que não estou preparada para este enfrentamento, que isso exigirá demais de mim, mais do que posso aguentar...
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
O mar calmo finalmente me alcançou, mas há tanto desalinho nessa calmaria que chego a pensar que não é amor, que não há carinho. Mas são tantas as conexões que nos ligam, tanto sentimentos vividos da mesma forma que acredito mesmo que o universo nos uniu para dar um acalanto, um carinho dizendo: "olha aqui, você não está sozinha, há muito o que se viver e viver com amor". Um amor calmo e sereno, dedicado, gentil, daqueles que faz de tudo para estar com você independente de todos os conflitos e impecilhos que o caminho possa trazer. E embora ainda seja estranho que em meio de tanto caos eu possa ter encontrado a minha paz quero somente aproveita-la o máximo que puder. E para isso tenho tentado me manter atenta e aceitar que posso sim ser merecedora de tanto. E como tudo na vida esperamos que seja eterno enquanto dure...
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Os dias andam mais solitários,o trabalho voltou presencial e a dor da solidão ficou mais nitida, mais pesada, mais dolorida. Passo o dia escutando as dores alheias e quando chego em casa só o gato me aguarda, com seus miados altos chamando atenção para um carinho. Após o banho ligo a TV, mas não vejo mais noticias, meu estômago se tornou sensivel e o enjoou logo vem quando ouço os absurdos disparados pelos politicos, pelas pessoas sem conhecimento e cegas por vinganças. Não há mais diálogo possível, cada um vomita suas verdades e laços são desfeitos. Cansei de ser tolerante com a intolerância. Os amigos antes tão perto se perderam na exaustão do isolamento, cada um sofre em sua individualidade, já não há mais chamadas de video, não há comemorações virtuais, não há mensagens otimistas. O tempo continua passando rápido e a falta de perspectivas do fim dessa pandemia nos traz mais angustias e dilacera a esperança de um novo normal que pudesse trazer mais consciência, mais dignidade, mais justiça social. No fim, continuamos os mesmos egoístas, preocupados apenas com nossa próprio prazer, sem nenhuma noção do coletivo. Sigo tentando encontrar um sentido maior para tudo isso e tentando entender o que não tem entendimento. E os abraços continuam proibidos, os encontros de lazer não chegam e seguimos sendo engrenagem de máquinas num sistema desumano.
terça-feira, 28 de julho de 2020
A mulher que eu fui, a mulher que eu sou
Nesse tempo de quarentena tem sobrado tempo para pensar na vida, no passado, no que conquistei e no que ainda almejo. Na verdade, desde o inicio desse ano tenho sido desafiada a buscar um novo sentido para as coisas, ressignificar a minha existência. Desde o dia 10 de janeiro tenho vivido uma turbulência de sentimentos que só amplificaram com a pandemia. Tudo se tornou tão intenso que mal consigo me expressar em palavras. Aliás, o que mais me faltou esse ano foram palavras que pudessem dizer 10% do que eu estava sentindo. Tudo aconteceu tão rápido, tão inesperado, que as vezes acordo achando que estava em um pesadelo. Mas não, é só abrir os olhos, ligar a televisão para saber que tudo o que estamos vivendo por mais surreal que pareça é real. Eu diria que esse ano foi perdido em muitos sentidos, no trabalho, no amor, na amizade, mas olhando bem posso ver que sem querer se tornou um ano sabático para mim. Em que deixei tudo de lado e tive que olhar para dentro, tão dentro que parecia que não sobreviveria ao meu próprio olhar, foram momentos de afundar em mim, olhar para tudo o que eu havia passado até o momento, todas as injustiças que senti me queimarem como ser humano. Tenho achado até que tudo isso me tornou um pouco dura, parei de tentar manter conexões que já haviam se perdido, sem razão qualquer, só porque escolhas foram feitas e caminhos distintos foram tomados. Parei de querer todo mundo na minha vida pelo resto da minha existência. Isso não tem como acontecer, não há como manter toda minha história presente na minha vida, a não ser através de lembranças e que boas lembranças eu tenho, que gratidão sinto pela minha existência, pela minha história. Eu olho e ainda acho milhões de coisas que precisam melhorar, inseguranças a serem resolvidas, carência que não devem mais ter o seu lugar, mas que mulher me tornei. Alguém que teve que desconstruir todas as limitações impostas para conquistar a almejada liberdade, liberdade de experimentar caminhos, de bater a cabeça, de chorar por decisões precipitadas, mas que pode caminhar com os próprios pés. Ainda há muitos que me consideram ingênua, eu mesma vivo me achando boba por acreditar tanto nas pessoas e fico inconformada quando as pessoas não agem de forma ética e honesta comigo, mas quem sou eu para julgar? Só porque luto para fazer a coisa certa, tentar ser uma pessoa melhor não significa que todos buscam o mesmo caminho. E esse ano me fez enxergar como pessoas que eu muito amei se tornaram tão distantes de mim, do que acredito e do que busco ser, não consigo entender ainda em que momento essa divisão se tornou possível, só sei que ela aconteceu e me trouxe muitas dores. Estou tendo que deixar muita gente que ainda amo para trás, o que ainda é muito difícil para mim, porque tenho a tendência de arrastar as pessoas comigo, para onde eu for, mesmo que elas não queiram. Mas o momento mostra que cada um tem o seu tempo de busca, de conhecimento e que não podemos carregar as pessoas com a gente. Deixa-las para trás não é deixar de amá-las, pelo contrário, é aprender a ama-las como realmente são, respeitando seu tempos e seu crescimento. Não tenho sido tempos fáceis, mas posso dizer que quando olho para trás e para o presente tenho mais o que agradecer do que reclamar. Afinal tenho seguido um caminho tortuoso para alcançar o que eu ainda nem sei bem o quê...
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